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História
Segunda, 26 Abril 2010 14:41

MARINHAS (S. MIGUEL)

 

A populosa freguesia de Marinhas situa-se a Norte da vila de Esposende.

Confina a Norte com S. Bartolomeu do Mar, Nascente com Vila Chã, Sul com Palmeira de Faro, Gandra e Esposende e a Poente com o Oceano Atlântico. A sua área territorial, com os 1172 ha, a maior freguesia do concelho, inclui já uma parte que se mistura nitidamente com o teccido urbano da vila de Esposende. Em 1981 ocupava o 2º lugar como aldeia mais populosa do concelho, antecedida de Apúlia, com 3395 habitantes.

O nome Marinhas advém do facto de, pelo menos em épocas mediévicas, se ter explorado o sal. No entanto, a primeira documentação conhecida para esta freguesia não a mensiona com este designação mas sim «Michahele de Cepanes» como adiante veremos.

Marinhas, não é muito rica em dados arqueológicos mas possui alguns elementos que nos possibilitam recuar uns milénios na sua história. Para a pré-história podemo-nos referir ao asturiense pois possuímos três picos «tipo ancorense» encontrados no lugar de Cepães. Também, embora só reste o topónimo, podemos citar o lugar da Anta, junto ao cruzamento da estrada de Goios – Marinhas e Vila Chã – Esposende, e que, por volta dos anos 50 e quando se procedia ao arroteamento de uma leira, apareceram inúmeras lousas, organizadas tipo caixa, acompanhadas de muitos fragmentos de cerâmica. Estamos, sem sombra de dúvida, perante uma necrópole de época romana. Sobre aquele topónimo nada soubemos em concreto e não sabemos se será o mesmo citado por Franquelim Neiva Soares e que vem referido nos livros de registo paroquial. Do período pré-romano, embora partilhando a propriedade com a vizinha Vila Chã, temos o povoado de S. Lourenço que é bem o testemunho de que, nessa época, aqueles que agora habitam a planície marinhense e o planalto vilachanês ocupavam o monte que lhes era vizinho. Pouco a pouco o seu modus-vivendi foi alterado e vão procurar nas zonas mais baixas melhores condições de vida. Esta alteração vai-se dar de uma forma mais activa com a chegada dos romanos que introduzem novos métodos na agricultura e mesmo nos hábitos quotidianos daqueles que passam a designar-se por «povos romanizados». Em vários pontos da freguesia, mais precisamente nos campos junto à Fonte da Telha, apareceram vestígios de época romana como tégulas e fragmentos de cerâmica. Informaram-nos que vestígios idênticos foram encontrados em Cepães e junto à igreja paroquial.

Do período medieval, além de possíveis salinas, temos alguns sarcófagos em granito e a cachorrada da capela lateral norte da igreja. Sobre este elemento arquitectónico os especialistas não chegam a acordo pois embora tenham feição romântica podem muito bem ser de uma construção do século XVI copiando elementos românticos.

Ferreira de Almeida localiza nesta freguesia uma salina medieval embora refira que está mal documentada. Diz aquele autor que «As salinas em Marinhas, em S. Bartolomeu e em Belinho, estão documentadas pelo topónimo e pela prestação do sal».

O primeiro documento escrito sobre esta localidade data da fundação do Consulado Portucalense. Remonta ao século XI mas somente se conhece cópia so século XII e é designada por Cepães localizando-se no arcediago de Neiva pagando «III módios de trifigo». Em 1108, um outro documento refere que existe um «casal in Gontemir et alter in Zopanes» e em 1134 «in Zopanes et in Gontimir habent iacentiam sub monte Goios territorio Bracarensi discurrentibus aquis ad mare et ad Cavadum».

Mais tarde, em 1145 volta-se a referir a igreja de «Zopanes» e em 1174 é feita a doação ao arcebispo D. João Peculiar. Franquelim Neiva debruça-se sobre o seu orago – S. Miguel – e diz que no século XI já era este o orago desta freguesia.

Em 1220 S. Miguel de Cepães era da terra de Neiva e afirmava-se que aí o rei tinha uma terra reguenga e dava-lhe a terça e de oferta meio morabitino. Estas inquirições são muito ricas em informações sobre esta freguesia referindo-se com promenor aos bens que aí tinham as várias Ordens e Conventos. Quando D. Afonso III mandou fazer novas inquirições, em 1258, esta terra era do julgado de Neiva e o rei não era padroeiro dando-lhe 136 maravedis «e agora tendo-se tirado 5 para a igreja dão os paroquianos anualmente 131 e 8 carneiros e uma galinha de cada fogo e 80 ovos; peitavam 8 calúnias sobreditas e iam ao castelo». Estas inquirições são muito importantes para um melhor conhecimento da história económica de Marinhas e do próprio concelho de Esposende.

No reinado de D. Dinis e porque este tinha necessidade de saber quais eram os seus rendimentos mandou fazer novas inquirições no ano de 1290. Esta localidade vem referida como «Freguesia de San Miguel de Cepães».

No catálogo de todas as Igrejas, comendas e Mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas vem uma referência a S. Miguel de Cepães cujo rendimento foi calculado em duzentos e oitenta libras.

Neiva Soares a dado ponto do seu trabalho ecreve «No século XIV há preciosos documentos expressamente referentes a esta freguesia, alguns de altíssima importância por registarem já a denominação actual de Marinhas. O primeiro é de 1357 e refere uma composição que Bernardo do Moinho abade de S. Miguel das Marinhas, faz com o seu freguês Estêvão João, chamado Regado, almocreve, pela qual este se obrigou a pagar ao dito abade em cada ano seis soldos de dízimo por cada besta com que fizesse carreto. O abade tratou de garantir os direitos paroquiais sobretudo o dízimo, que se pagava por tudo: animais, searas, negócios, etc. E garantiu-o alcançando uma importância em dinheiro por cada besta com que trabalhasse».

Em 1358 é quando é anexada a Marinhas a freguesia de Gandra e esse documento é muito importante para as duas freguesias. Nele se referem não só os aspectos económicos mas também de âmbito social. Este processo de anexação é confirmado pelo Arcebispo D. Lourenço Vicente em 1374. Todo o século XIV, mais precisamente em 1402, Marinhas aparece com a designação de S. Miguel das Marinhas ou de Cepães. Segundo Franquelim Neiva Soares é a partir da segunda metade do século XV que fica oficialmente a designar-se por Marinhas. No tempo do Arcebispo D. Fernando da Guerra, no primeiro quartel do século XV, a igreja de Marinhas desvincula-se da mesa arquiepiscopal e anexou-se ao Cabido de Braga e em Novembro de 1467 o mesmo Cabido vai arrendar os bens dela ao D. Pedro Afonso.

No Censual de D. Jorge da Costa, de 1493, «pagava esta igreja, que se situava inexplicavelmente na Terra do Mestre-escolado, tanto como as outras dessa zona...».

Em 1537 esta freguesia foi anexada ao Mosteiro de S. João de Arga e em 1566 desanexou-se desta o lugar de Esposende que passou, por carta régia de 19 de Agosto de 1572, à categoria de vila.

Duas das capelas mais importantes são a da senhora da Saúde, no lugar de Outeiro, mandada construir em 1849 e reedificada em 1889, e a da Senhora das Neves, bem mais antiga, situada no lugar de Rio de Moinhos. Esta última possui altares em estilo renascença.

 

Neiva, Manuel Albino Penteado, Esposende, Esposende Breve roteiro histórico, 1987, pág. 100-105.